Depois da entrega de computadores na escola, fui com a Catarina aos acampamentos ciganos tentar falar com os alunos. Queria saber como estavam 2 alunos mais velhos (16 e 17 anos). A probabilidade de se desligarem da escola é grande e precisam de um contacto diferente. Não são as fichas que os motivam, antes disso são necessárias as relações pessoais!

No primeiro acampamento, seguindo as medidas de proteção, falei com o pai de um deles. Percebi as condições que tinham de acesso à TV e à internet, como estavam a fazer as compras e falamos sobre as medidas covid-19. Criei empatia com o senhor e disse-lhe que, no futuro, iria ligar para ele, pois o filho não tem telemóvel. Aceitou bem a ideia e foi muito cordial. Penso que agora o contacto será mais fácil. No final falei com o próprio aluno que ficou feliz pela visita!

No outro acampamento, o rapaz ficou bastante feliz! Falamos das condições, de como estavam a levar o estado de emergência, do acesso a instrumentos musicais para continuar com a nossa música cigana. Afinal ele tem um vizinho que lhe empresta o piano!

Neste acampamento também estão mais 2 alunos da mesma turma. Falei um pouco com eles e com os pais sobre a importância da telescola e hoje, 2 dias depois da visita, um dos jovem foi à aula de E@D e estava motivado a participar.

Depois do professor solicitar a minha ajuda com outro aluno, decidi visitar também o seu acampamento. Estive com o aluno a preparar no seu telemóvel tudo o que era necessário para a aula. Foi engraçado ver que o primeiro instinto dele foi o abraço, mas isso não era possível… fica para depois da quarentena! Participou em 2 aulas e estava claramente feliz por ver os colegas. Ele é um pouco solitário no acampamento e os colegas da turma são amigos dele. 

Foi um dia de relações fortes, de muito gel desinfetante e de motivação!”

Autor: Pedro Pinto – mentor da 2.ª Geração