Chamo-me Maria, tenho 36 anos e sou bioquímica de formação. Trabalhei com entusiasmo durante 10 anos como investigadora, entre matrizes de biomateriais, linhas celulares e modelos de regeneração óssea e cancro, 4 países e colegas de todo o mundo.

Em 2014, recém-mãe pela primeira vez, senti a necessidade de contribuir para uma sociedade mais justa, e que a área da educação era a ideal para o fazer. O primeiro passo foi contactar a Teach For All, uma rede global com provas dadas em promover oportunidades para todos, através da educação.

No início de 2015, a criação da Teach For Portugal já ocupava todo o meu tempo livre; em Setembro, optei por me dedicar a 100% a este projeto. Na verdade, talvez não o tivesse feito se soubesse quanto ia demorar até os primeiros participantes chegarem às escolas… ainda bem que não sabia!
Passaram mais 30 meses até à autorização do Ministério da Educação, depois mais 9 para o financiamento ser aprovado, e outros 9 para, no Verão de 2019, a alegria imensa do primeiro Instituto de Verão com os participantes que agora estão nas escolas – a 1ª Geração.

Pelo meio, nasceu um segundo filho e fui conciliando vários papéis – mãe, mulher, filha, irmã, neta… – com esta missão, para a qual não tinha nenhuma experiência nem particular talento natural, apenas muita vontade.

Nunca tinha tido que idealizar um plano de formação anual, nem que esperar tanto tempo por um resultado que nem sabia se seria favorável. Nunca tinha feito um orçamento, gerido uma equipa, negociado um acordo, liderado uma equipa, planeado uma formação, recrutado um trabalhador, definido uma estratégia de parceria em sala de aula. Nestes anos fiz, melhor ou pior, tudo isso.

Ao longo do percurso, surgiram alguns obstáculos que pareciam realmente intransponíveis, desde angariar um orçamento bastante exigente para uma organização acabada de criar até encontrar formas de integrar os participantes nas escolas que fossem aceites por todos, passando por coisas simples como descobrir um caminho alternativo depois do 1º, do 2º e do 3º “não”.
Vezes sem conta ouvimos que “aqui em Portugal isso não vai funcionar”…

Mas, passo a passo, foi-se criando um conjunto de verdadeiros aliados, entre amigos de longa data e pessoas incríveis que provavelmente não teria tido outra oportunidade de conhecer. Quando dei conta, esta comunidade que nos apoiava de várias formas e acreditava mesmo nos momentos difíceis, comprometia-me e impedia-me de desistir do movimento que estávamos a criar. Não vou poder nunca agradecer-lhes o suficiente.

Este trajeto ensinou-me que sou capaz de arriscar e de fazer sacrifícios para me realizar em todos os papéis que escolhi viver: ter uma família e contribuir para a felicidade de todos, e ainda ter uma carreira na área onde acredito ser útil.

Hoje, como Diretora de Programa da Teach For Portugal, sinto que contribuo para que o mundo em que os meus filhos vivem seja melhor.
6 anos depois, e com mais um filho a caminho, a Teach For Portugal está a dar os primeiros passos mais firmes. Temos uma equipa de 24 pessoas (17 das quais nas escolas) e muito mais aliados e amigos. Estamos em 11 escolas de 7 cidades. Os nossos incansáveis participantes estão comprometidos com um futuro melhor para os seus 1700 alunos, as suas escolas e as respetivas comunidades.

Valeu a pena, vamos em frente!